ECONOMIA DO BRASIL EM QUEDA LIVRE: erros sucessivos ou premeditação?

RUBENS TEIXEIRA

A economia brasileira entrou em recessão profunda. Não se sabe ainda aonde será o fundo do poço. Aumento do desemprego, perda de credibilidade, explosão da dívida pública, da inflação, juros altos, empresas fechando e governo querendo aumentar a já confiscante carga tributária. Ainda assim, o governo se recusa a fazer o que qualquer pessoa faria se tivesse uma queda em seu orçamento: cortes nos gastos. Em momento de crise financeira na vida pessoal de qualquer empresa ou pessoa, imediatamente se faz um ajuste tão severo quanto forem severas as restrições de recursos. A ordem é equilibrar as contas para não quebrar. Mas o governo não mostra nos seus atos disposição sincera de cortar gastos de forma responsável.

A gravidade da situação é influenciada, de forma importante, pela crise política, mas não há quem ponha ordem em Brasília e o governo não tem capacidade de diálogo com o Congresso Nacional. Por isso, não se chega a consenso sobre medidas a seremOlho verde amarelo chorando tomadas. Mesmo assim, as atitudes e os gestos do governo não estão afinados com o pânico que se instaurou na economia do Brasil. O cenário desconfortável para quem precisa de emprego parece não sensibilizar àquela pessoa que foi escolhida pelo povo para traçar os destinos do país nesta legislatura.

Paralelo a isso, políticos que poderiam exigir ou propor soluções estão calados. Pouquíssimos agem como estadistas. Uns porque estão acuados com investigações, outros por serem aliados dos que estão devendo. Há também uma multidão de medíocres que não têm lado: estão esperando se o barco de Dilma afunda ou se consegue se equilibrar. Como são abutres, estão à espera de oportunidades convenientes. Aproveitam a confusão para atingir seus objetivos e esperam a situação se resolver ‘pela gravidade’, mas não querem correr risco. Quando a solução se definir automaticamente, dirão que lutaram por aquele resultado. A oposição mostra-se fraca, pouco propositiva e também tenta se descolar das questões que lhes são imputadas. Mas é isso: o Brasil é o que é por conta do seu conjunto.

Depois de tomar medidas equivocadas, se houvesse interesse sincero de resolver o problema do Brasil, não há uma solução melhor do que encarar a situação e tomar o remédio amargo que resta para evitar um mal maior a todo o povo brasileiro. Qualquer gestor ajuizado tomaria as medias ‘antipáticas’ agora porque sabe que o mal presente é muito menor que o mal futuro decorrente de sua omissão. Corte de gastos é desagradável na vida pessoal, empresarial ou no governo. Não fazê-lo é jogar o Brasil no precipício.

Mas será que esta é a maneira que se encontrou de se vingar dos brasileiros que estão exigindo solução? Voluntariamente ou não, deixar os brasileiros perder seus empregos, suas empresas e seu bem estar está sendo uma verdadeira punição. De fato, é evidente que o sofrimento de toda uma nação poderia ser abreviado se fossem tomadas as medidas cabíveis. Por que então isto não é feito? Há um ditado que diz: “seus atos falam tão alto que não consigo ouvir suas palavras”. As palavras não estão alinhadas com os atos. Que o povo brasileiro está sendo severamente punido já se sabe. Resta saber até que ponto essas punições são decorrentes de erros circunstanciais ou se são propositais.

Evidente que um momento de racionalidade do governo, temperado com sinceridade e equilíbrio, daria início à solução do problema do país e as coisas começariam a se reverter. Se o governo ouvir quem fala a verdade e não o que é conveniente, terá um surto de lucidez e enxergará soluções para a crise. Do contrário, o Brasil continuará sendo depenado pelas aves de rapina até que, por gravidade, as coisas vão para aonde têm que ir. A ferida vai se curar sem curativo e sem remédio. A recuperação vai levar mais tempo e será mais dolorida. Um sofrimento bem maior do que se fossem tomados os melhores cuidados.

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