SE VEJA PUBLICOU PODE SER MENTIRA, OU PIOR, MEIAS VERDADES


Por Rubens Teixeira

1) AS MENTIRAS DA REVISTA VEJA

 

No dia 17 de novembro de 2014 a Revista Veja, que mentiu acerca da existência de conta do senador Romário na Suíça, e autora de outras mentiras e meias verdades, publicou, na Coluna do Lauro Jardim, quando eu ainda era diretor financeiro e administrativo da Transpetro, a nota:

“Siga o dinheiro

“Os auditores que estão vasculhando a Transpetro identificaram uma movimentação de cerca de 1 milhão de reais que a gerência financeira da estatal até agora não conseguiu explicar para onde foi o dinheiro. (Atualização, às 17h19: A assessoria da Transpetro enviou uma nota oficial afirmando que “desconhece a suposta “movimentação” de valores à qual a coluna se refere”. O Radar mantém a informação publicada). Por Lauro Jardim.”. Disponível no link: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/transpetrosiga-o-dinheiro/

Ainda como diretor, pedi imediatamente a apuração da denúncia de existência de pagamento sem identificação na Transpetro. Procurar o que não existe dá trabalho porque você tem que verificar em todos os lugares. Afinal, eram cerca de 30 mil pagamentos por mês que realizávamos. Seria um absurdo. Se um pagamento superfaturado é inadmissível, imagina um pagamento não identificado? Dias depois, veio um relatório preliminar de auditoria que induzia a esse erro. De posse do relatório, percebeu-se que aquela informação estava errada. O relatório foi corrigido e a aberração sanada. Mas quem levou o Lauro Jardim a mentir? A resposta é: quem ‘inventou’ a informação, somando-se a negligência dele de não investigar ou não selecionar bem suas fontes de fofocas. Neste dia, trabalhamos intensamente porque um criminoso vazou uma informação errada e um irresponsável a publicou.

2) SEXTA-FEIRA, 7 DE AGOSTO DE 2015, Veja, PUBLICOU

“Cargos abençoados

Teixeira deixou um apóstolo na Transpetro. O pastor Rubens Teixeira, indicado por Marcello Crivella, foi demitido da diretoria financeira da Transpetro em abril, mas deixou raízes na estatal. O pastor Edson Feitosa, da Universal, por exemplo, continua como gerente de serviços da região Sudeste. Por Lauro Jardim.”  Disponível no link: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/cargos-abencoados/

3) MINHA RESPOSTA PARA DIVERSOS SITES NA INTERNET 

“Conheci Edson Feitosa quando já era diretor da Transpetro. Ele tem mais de 20 anos no Sistema Petrobras. A última ligação que fiz para ele foi quando soube dos constrangimentos que a Transpetro estava impondo a pessoas de bem que trabalharam comigo, logo que saí do cargo. Fui muito incisivo e tão objetivo quanto o caso requeria. A demonstração de que não tenho ligação com ele é que jamais recebi ligação, e-mail, mensagem ou qualquer contato dele depois de ser destituído, exceto o retorno da ligação que eu havia feito para falar acerca do desrespeito que impuseram a pessoas inocentes na Transpetro. Não foi uma conversa de amigo, mas de um cidadão cobrando respeito a pessoas inocentes. Edson Feitosa é evangélico, mas não é da mesma denominação da qual faço parte, nem da Igreja Universal, como afirma de maneira inverídica a Coluna Radar On-Line da Revista Veja. Nem eu nem o senador Crivella jamais estivemos na igreja em que Feitosa faz parte, enquanto ele trabalhou comigo. A relação que tínhamos era profissional e somente quando estávamos na Empresa. Há pessoas de outras religiões na Transpetro que têm muito mais afinidade comigo do que ele. A Revista Veja já publicou outras mentiras antes de acusar indevidamente o senador Romário de ter conta na Suíça. Está começando a valer a Nova Lei da Mídia: ‘Se Veja publicou, deve ser mentira’. E, para mostrar o nível, diferente de mídias sérias, sempre se refere a mim como ‘pastor’ de forma preconceituosa, mesmo não se referindo a matéria a algo relacionado a minha fé. Tenho 27 anos de serviço público, formações acadêmicas e livros escritos, mas eles querem o escárnio. Em meio a tanta mentira e desrespeito, o melhor caminho é desprezá-los. Este tipo de jornalismo caminha para onde merece: são vistos como panfletos a serviço da fofoca e da mentira”.

 

Era tanta mentira na nota que esqueci de dizer que minha saída da Transpetro foi em março, não em abril como afirmou o jornalista. Muita mentira em poucas palavras. Realmente muita habilidade.

4) O RISCO DAS FONTES DA REVISTA VEJA

Lauro Jardim da Revista Veja pode ter denunciado sua fonte quanto citou os “auditores” que, se o fizeram, cometeram crime. Portanto, o jornalista pode ter entregue a sua fonte (cuidado com ele). Por outro lado, Veja e Jornal O Globo recentemente publicaram algo que citava meu nome e referiram-se de novo a trabalhos da auditoria. Pergunto: Alguém sabe por onde deve estar vazando tantas informações da Petrobras, Transpetro etc.?

5) A MEIA-VERADADE –  SERIA VINGANÇA DA Veja?

Provavelmente Veja fez uma represália à declaração em que afirmei: “Se Veja Publicou, então deve ser mentira”, quando denunciei as mentiras da nota “Cargos abençoados”, publicada na sexta-feira, dia 7 de agosto, pelo Lauro Jardim. Incrivelmente em pleno domingo do dia dos pais, apenas dois dias após a publicação da minha resposta, Lauro Jardim da Veja não se segurou e publicou:

“Bom contrato,

Teixeira fechou o contrato com a Hope. A Hope, prestadora de serviços da Petrobras que apareceu na delação premiada de Milton Pascowitch e resultou na prisão de José Dirceu, detém o maior contrato da diretoria de Serviços da Transpetro – uma média de 2,5 milhões de reais por mês. Foi um contrato firmado pelo ex-diretor Rubens Teixeira, indicado ao cargo por Marcello Crivella.Na Lava-Jato, a Hope aparece dando 500 000 reais mensais de propina. Por Lauro Jardim.” Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/empresa-citada-em-delacao-que-complicou-dirceu-tem-contrato-de-25-milhoes-de-reais-mensais-na-transpetro/ 

6) A VERDADE COMPLETA

De fato, preciso ajustar minha definição de Veja. Agora será: “Se Veja publicou pode ser mentira ou meias verdades”. Nos cerca de 200 contratos sob administração da diretoria que eu era responsável, dentre os mais de 1000 de toda a Transpetro, esta empresa tinha vários. Na Petrobras e outras empresas do sistema têm muitos outros. São milhares de contratos em todo o Sistema, inclusive com as dezenas de empresas envolvidas nas investigações da Lava-Jato. Afinal eram grandes empresas e participavam de muitas licitações. Em alguns casos veio à tona uma série de desvios. Portanto, não foi apenas o Rubens Teixeira que firmou contrato, mas sim inúmeros gestores que, quando esta empresa participava de licitações e vencia, assinaram contrato com ela e com centenas de outras. Aliás, 2,5 milhões de reais para contratos do Sistema Petrobras, em que há contratos muito maiores por conta dos grandes empreendimentos da empresa, está longe de estar entre os maiores valores. Mas se muitos gerentes, diretores etc assinaram contratos com esta empresa, certamente licitados, por que citou apenas o meu nome? Provavelmente porque a fonte dele, ou sua pesquisa mal feita, – de forma intencional ou por ser resultado de trabalho medíocre – não enxergou este aspecto e pegou para exemplo o que deve ser um dos menores contratos desta empresa com o Sistema Petrobras.

Empresas do Cadastro da Petrobras, especialmente as que têm boa avaliação dada por fiscais de contrato, são chamadas para as licitações. Se estivessem sem restrições legais, poderiam participar das licitações. E esta empresa já estava lá antes de eu chegar e tinha boa avaliação nos serviços que prestava. Os setores técnicos na Transpetro, na época em que eu era diretor (agora não sei), cuidavam diligentemente das verificações cabíveis para que empresas com problemas não fossem chamadas.

Portanto, como assinei centenas de contratos, este ou qualquer outro que eu tenha assinado, foram verificadas as questões de legalidade e preço. Ademais, empreendi corte de custos em contratos e, no ano passado, ultrapassei em 40% a meta de corte de custos que tinha. Ao invés de aumentar contratos, eu os reduzi mais ainda. Algumas empresas desistiram de contrato na Transpetro ao longo da minha gestão. Aliado a isso, tinha um percentual mínimo de contratos aditivados ou contratações diretas emergenciais e etc. Era duro o combate a aditivos contratuais que aumentassem os contratos ou a contratações diretas. Deixei esses dados na minha prestação de contas (disponível em: http://www.rubensteixeira.com.br/site/?p=4338).

Evidentemente não tenho contas no exterior, patrimônio em nome de terceiros e nem recebi propina. Meu patrimônio vem do meu trabalho como servidor público há 27 anos, além de outras atividades que desempenhei, como professor. Tudo declarado na Receita Federal. O nível de corrupção em nosso país é fruto do seu conjunto. Há muita gente a serviço da corrupção: jornalistas, políticos, empresários, servidores públicos e outros que se vendem e mentem, mas não são todos. Há gente séria no Brasil, mas há muita gente que trabalha para confundir a sociedade enquanto seus aliados corruptos são protegidos. Há setores da mídia que não tem compromisso com a verdade e informação, mas agem no sentido de esconder seus corruptos prediletos, mostrar os corruptos adversários, ou mesmo, como são panfletos a serviço de alguém, investem contra pessoas escolhidas como alvo a ter a imagem maculada, para atender a algum interesse criminoso. Para isso, se valem de mentiras ou meias verdades, sendo pistoleiros a serviço da destruição da reputação alheia.

São dezenas de empresas, inclusive as maiores empreiteiras do país, envolvidas nas investigações da Lava-Jato. Será que todas as pessoas que assinaram contratos públicos com essas empresas são corruptas ou suspeitas? Algumas delas devem ser diretoras ou gerentes até hoje no Sistema Petrobras, mas a Lauro Jardim e às suas fontes não convém falar. As culpadas ou inocentes, só elas mesmas sabem dizer. Seria algo inimaginável que todos os signatários de contratos com essas empresas, em todo o país, sejam infratores. Certamente são centenas ou milhares de gestores que eventualmente firmaram contrato com uma delas. Se a Revista Veja acha relevante trazer a público todas essas centenas de pessoas que assinaram contratos públicos com as dezenas de empresas investigadas na Lava-Jato, por que trouxe um dos menores contratos do Sistema Petrobras e desprezou outros maiores, com esta e outras empresas investigadas, não só no Sistema Petrobras, mas em toda a administração pública no Brasil? Pior do que a mentira que é percebida rapidamente, é a meia verdade, que pega as pessoas de boa fé desprevenidas e são levadas a concluir precipitadamente.

7) A QUE SERVE A MEIA VERDADE?

A meia verdade é a forma mais corrupta e prostituta de jornalismo. Isto porque  protege a mentira guardada dentro de algo que, mesmo que verdadeiro, em si não tem a relevância que parece. A imprensa corrupta contribui para confundir a cabeça do brasileiro. A maioria dos trabalhadores de boa fé não tem tempo para se aprofundar. Esse jornalismo que ajuda a esconder corruptos parceiros e atacar qualquer que se lhe oponha, a meu ver, está a serviço dos que destroem o país, sob qualquer pretexto. Ao invés de jogar luz, joga fumaça para encobrir o que lhes interessa.

8) PORQUE ESTAS MEIAS VERDADES PODEM ESTAR SURGINDO?

Já alertei formalmente ao presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, e o da Transpetro, Rubens Silvino, acerca dos constantes vazamentos, especialmente de documentos ligados à auditoria das empresas. Uma empresa que tem informações estratégicas e tem vazamentos sistemáticos pode estar em uma situação mais grave do que parece. São imprevisíveis e imensuráveis os prejuízos que podem gerar. Esses crimes de vazamentos podem alimentar interesses políticos ou econômicos e está muito claro que estão acontecendo. Estão matando a empresa.

CONCLUSÃO

Peço a Revista Veja, ou a alguém que tenha interesse em me causar prejuízo, especialmente em vingança por medidas duras que eu tenha tomado enquanto diretor, como o apontamento de erros graves em relatórios,  pessoas que afastei etc., ou mesmo pessoas de boa fé, que, se tiverem algo que entendam ser relevante a meu respeito, que entreguem ao Ministério Público Federal, Polícia Federal ou mesmo ao juiz Sérgio Moro, para que me interroguem se houver dúvidas.

Lauro Jardim, ou qualquer um que venha a público de forma identificada (não respondo fake) falar acerca de meus atos, fique tranquilo que todas as vezes que você ou qualquer um mentir, ou trouxer meias verdades em sua coluna, ou em qualquer outro local, vou responder. Não tenho nada a temer e não preciso de criminosos para trabalhar, como os que vazam informações, fazem dossiês a serviço de políticos corruptos e fazem intrigas em favor de interesses obscuros.

Alerto às pessoas que têm interesse sincero em informações a meu respeito que estejam atentas ao que a Revista Veja publicar ou quando a fonte for documentos ou dados da auditoria da Petrobras ou Transpetro. Depois de ações internas que tomei, ainda como diretor, que por questões de ética evito falar, estas práticas começaram a vir à tona. A auditoria é subordinada ao Conselho de Administração da empresa, não à Diretoria.

Alerto aos jornalistas incautos que fiquem atentos. Sei que na Petrobras e na Transpetro há uma plêiade de quadros técnicos extraordinários. Pessoas boas de caráter e competentes, mas há também uma minoria de oportunistas que contrariei, inclusive enfrentando pressões políticas quando precisei afastá-los, repreendê-los ou confrontá-los. A irritação de alguns é que não cedi em nenhuma ocasião. Sempre agi com serenidade e firmeza. Essa minoria que foi contrariada de vez em quando tentará pregar uma peça em vocês, como algum adversário do senador Romário deve ter feito, bem como nas demais notas que citei acima.

Caso queiram mesmo buscar a verdade, sugiro que peçam às suas fontes para submeter ao Ministério Público e a Polícia Federal as denúncias que queiram fazer para ver se é mesmo séria a questão, ou trata-se de uma forma de usá-los como marionetes para destilarem seu ódio. De fato, nem mesmo as pessoas de boa fé foram mais eficientes que o Ministério Público e a Polícia Federal para evitar a tragédia da roubalheira na Petrobras. Não serão pessoas de baixo nível, que vazam informações e não respeitam sequer a empresa que lhes paga que vão fazer o milagre de salvamento da empresa. Já diz o ditado popular: “quem se mistura com porcos, farelo come”.

Por fim, tenho o dever de esclarecer tudo o que for questionado. Por outro lado, as instituições públicas, como Ministério Público, Polícia Federal, Judiciário, têm prerrogativas que lhes garante o poder, e até a obrigação, de trabalhar para identificar infrações e punir os responsáveis. Qualquer gestor público tem a obrigação de prestigiar o trabalho destas instituições e, se em qualquer momento eu for perguntado, esclarecerei o que me for demandado.

Tenho a obrigação de esclarecer também instituições da sociedade civil ou qualquer brasileiro que me questione, de forma sincera, sobre a minha gestão. Isso é obrigação de todos. Mesmo que seja exaustivo, faço com satisfação. Prestar contas e cumprir a lei não é favor, é obrigação, especialmente em um momento de tanta escuridão em nosso país. Luzes não podem fazer mal a quem não anda nas trevas. Por isso escrevi este artigo. Como falei verdades duras e objetivas, provavelmente levantarei, mais ainda, a fúria do mal contra mim, mas tenho a serenidade de um cidadão que está cumprindo a sua missão como brasileiro.

Rubens Teixeira. • Analista do Banco Central do Brasil • Ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro • Oficial da reserva do Exército • Professor universitário • Escritor • Palestrante • Radialista • Doutor em Economia (UFF) • Mestre em Engenharia Nuclear (IME) • Pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA) • Engenheiro de Fortificação e Construção (IME) • Bacharel em Direito aprovado na prova da OAB-RJ (UFRJ) • Bacharel em Ciências Militares (AMAN) • Membro da Associação dos Diplomados da ESG • Membro Titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB) cadeira nº 37 • Prêmios Tesouro Nacional, com sua tese de doutorado em Economia, e Paulo Roberto de Castro, com sua monografia de Direito.

 

 

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